30 de mar. de 2010
Festina Lente
Uma grata descoberta, tem muito a ver com a fundação das Coisas Curiosas. Para ler o que escrevi sobre tal ideia, clique aqui.
26 de mar. de 2010
23 de mar. de 2010
22 de mar. de 2010
21 de mar. de 2010
13 de mar. de 2010
Sou craftivista!
"O que é craftvism? É um conceito que vem da união das palavras craft (artesanato) e ativism (ativismo). Lancei essa ideia porque acretido que o trabalho manual pode ser usado como forma não tradicional de protesto. Ao segurar um cartaz de 'não à guerra' em uma esquina, há grandes chances de você não conseguir engajar ninguém em uma conversa produtiva em torno do tema. Mas, quando você tricota a mesma mensagem num sweater, as pessoas pensam: 'Espera aí. Por que essa pessoa fez isso em sua roupa? Por estilo? Por revolta?' Isso possibilita outro modo de ativismo, menos de confronto e mais de engajamento.
Existe uma reação ao hiperconsumismo? O materialismo e o soncumismo desenfreados têm tudo a ver com o aumento do interesse por produtos artesanais. As pessoas estão começando a se questionar sobre como e por quem os produtos são realmente feitos e de onde vêm as matérias-primas. Quando você começa a fazer cachecóis e chapéus, subitamente percebe que é necessário muito mais dinheiro para fazer essas peças do que para comprá-las. Por quê? Como isso se torna viável economicamente? Nos damos conta de que em algum lugar alguém não está sendo justamente pago por seu trabalho ou os materiais são de baixa qualidade. Manufaturar é um ato político na medida em que desaponta o atual sistema de consumo. Em vez de ir ao shopping comprar os 'cachecóis do momento", estamos fazendo os nossos próprios. " [1]
Para saber mais, texto na Wikipedia em Inglês.
Para saber mais, texto na Wikipedia em Inglês.
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revista simples
12 de mar. de 2010
10 de mar. de 2010
A Moça Tecelã, de Marina Colasanti
"Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta."
Este lindo conto é pleno de simbolismos: da alma feminina, da condição humana, da capacidade de criação, do tecido feito ou recebido ou decidido ou inventado que é cada um e cada vida. Tive o prazer de conhecê-lo através do grupo de teatro portoalegrense A Caixa do Elefante. Misto de teatro de sombras e de bonecos, com projeções e atuação de atrizes em pura dança, sua interpretação do conto foi mágica, macia, íntima, delicada. Um primor.
Corri atrás do livro. Que grata e nova surpresa: ele é todo ilustrado com bordados. Linhas e texturas constroem o texto visual e ampliam o literário. De vez em quando olho e leio tudo de novo, por puro prazer. Até levei o conto para aulas na universidade e indiquei às amigas, eu tinha que compartilhar com mais alguém a história. A moça tecelã é um conto, uma imagem e um desejo.
Ah, quer saber o final? Empresto o livro, hehehehe. Ou mais rapidinho, sem as maravilhosas ilustrações, aqui.
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4 de mar. de 2010
3 de mar. de 2010
2 de mar. de 2010
1 de mar. de 2010
U.S.O.
USO é a sigla para unidentified stuffing object. Em tradução bem livre, objeto fofo não identificado, monstro, criatura e por aí vai. Feitos de pano ou de outros materiais similares, são geralmente desproporcionais, engraçadas e perversamente charmosas. Qualquer pessoa pode se tornar um colecionador de USOs e não é raro que adultos estejam na primeira fila! Este legítimo movimento tem influência do animê japonês, da cultura do videogame, da ilustração e do design contemporâneos, reforçado pela ideia de "faça você mesmo".
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